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Palavra do Presidente
Transporte de Curitiba merece soluções estruturais
20/11/2006

Rodrigo Corleto Hoelzl*

O sistema de transporte coletivo de Curitiba não pode ser visto apenas como uma questão de tarifa e da aprovação de uma lei que regulamente o setor.

O poder público precisa ajustar o foco de suas decisões e buscar soluções estruturais, de modo que a oferta atenda as reais necessidades da população. É lamentável, mas o sistema começa a apresentar "sinais de cansaço", por falta de melhor planejamento, de ajustes, de investimentos, e nem consegue dar conta de um crescimento inesperado da demanda.

Ônibus lotados já não são mais novidade em Curitiba, quem diria. Este problema traz desconforto para os usuários e não deixa nem um pouco felizes as empresas operadoras porque é um sintoma de queda da qualidade dos serviços. É triste que isto aconteça, ainda mais sabendo que a ela não demos causa. Pagamos também o injusto preço de uma política de transporte equivocada. Ou melhor, da falta de uma política de transporte que verdadeiramente equilibre o sistema.

O problema da lotação dos ônibus pode parecer novo, mas deveria ter sido previsto pela gerenciadora do sistema, desde o ano passado, quando suas estatísticas indicavam maior procura pelo transporte coletivo. E pesquisa encomendada pelo Setransp no final de 2005, cujos resultados foram também encaminhados à Urbs, mostrava que aquela era justamente a maior queixa dos usuários da RIT.

Não dá mais para fugir do óbvio, nem escamotear a realidade. Soluções para garantir a eficácia e a eficiência do sistema passam necessariamente por novos investimentos em infra-estrutura, por parte do poder público, como não se vê há anos, é bom frisar. Não tem sido outro o nosso discurso, na presidência do Setransp há quase dois anos, e aqui neste espaço corporativo, desde junho.

Os congestionamentos crescentes por todo o trânsito de Curitiba, a falta de recursos para criar novas vias que priorizem o transporte público e utilização indevida das canaletas provocaram uma redução na velocidade com que a frota de quase dois mil ônibus trafega. Como a velocidade operacional está diretamente ligada à qualidade e aos custos no transporte, há urgência de investimentos na estrutura urbana para reparar este problema.

Para atender as necessidades de renovação de parte da frota, as empresas de ônibus de Curitiba e região metropolitana investiram este ano mais de R$104 milhões, na compra de 269 novos veículos.

O debate técnico sobre o futuro do transporte coletivo de Curitiba e região metropolitana está nos convocando a todos. As empresas de ônibus dele não pretendem se furtar. E têm sugestões a apresentar para que readquira boas condições de funcionamento. Soluções estruturais.

* Rodrigo Corleto Hoelzl é presidente do Setransp - Empresas de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana

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