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Opinião
TRANSPORTE COLETIVO DE CURITIBA
 

Dante Gulin*

O modelo de transporte coletivo de Curitiba é, desde 1987, composto pela gerenciadora, URBS, e pelas operadoras, empresas. Cabe a gerenciadora, URBS, o planejamento do transporte e a remuneração para as empresas que é feito, exclusivamente, por quilômetro rodado. As operadores, empresas, cabe a responsabilidade de repassar diariamente à URBS, integralmente, os valores arrecadados com as tarifas, e operacionalizar o sistema. Entende-se como operacionalizar o sistema, a contratação, remuneração e treinamento de funcionários, compra e manutenção de veículos, e arcar com todas as responsabilidades operacionais, ações trabalhistas, ações cíveis, financiamentos, responsabilidade social, impostos e taxas.

O modelo de transporte coletivo de Curitiba é admirado e respeitado no Brasil e fora dele, isto se torna evidente através de inúmeras visitas que as empresas recebem de empresários, órgãos gestores e jornalistas objetivando entender e copiar o sistema de Curitiba. Este sucesso é reconhecido como fruto do trabalho das administrações de Curitiba, porém o que não é tão reconhecido e sempre foi fundamental para esse sucesso, foi a participação das empresas, pois toda viabilidade financeira dos projetos foi garantida graças a participação dos empresários do transporte. Os inúmeros problemas surgidos, e nunca divulgados, foram resolvidos pelas operadoras, as quais foram as verdadeiras responsáveis para que o projetos saísse do papel para a prática.

Estes anos de parceria entre poder concedente e iniciativa privada sempre foram respaldados por contratos firmados entre as partes, contratos estes que são judicialmente legais e devem ser respeitados. Qualquer decisão superior, que venha afetar este equilíbrio judicial, econômico e financeiro deve ser embasada em critérios justos e claros, para que não se corra o risco de ter o sistema de Curitiba, tão festejado mundo afora, transformado num fracasso em termos de transporte urbano.

Uma das situações em que vivemos, evidente a todos atualmente é a idade de nossa frota. Há alguns anos Curitiba não possuía nenhum veículo em circulação com mais de 10 anos de vida, isso garantia a população conforto, segurança e uma agradável aparência de nossa frota. Atualmente temos em circulação veículos com 11, 12, 13 e até 15 anos em atividade, esta condição de frota só não está comprometendo o transporte da população devido ao monumental esforço, unilateral, dos empresários de Curitiba. As operadoras estão investindo além dos parâmetros normais, e mostrando competência profissional nas empresas, para o reparo e agilidade na troca dos veículos.

Os empresários apoiam qualquer iniciativa de redução do preço da tarifa e há várias medidas que poderiam ser adotadas para alcançar este objetivo.

* Dante Gulin é empresário - Diretor da empresa Glória